Quando você não vai

Interessante que muito tempo passou desde o post anterior e as mãos que sobravam livres dos cuidados com a criança, tomaram afazeres outros – ou simplesmente fizeram NADA (delícia!)

Hoje meu filhão está com 6 anos e 7 meses. Adormeceu assistindo Netflix (meu companheiro de maternagem) e agora está na cama dele. Taí algo que fica mais difícil com o tempo: colocar a criança na cama sozinha. São 1,23 cm para manobrar com 25 kg pra levantar. Hahahha caramba que gurizão!

Papai disse que viajou à trabalho, então nesse final de semana você não viajou. Adoro não ter que sentir a apreensão de pensar em você rodando km pra chegar na casa dos avós paternos e outros pra voltar. Adoraria que teu pai tivesse arranjado um emprego aqui na cidade que moramos, pra rolar a tal compartilhada guarda verdadeiramente… Mas não. Ele mudou de emprego e foi pra uma cidade mais longe (Freud explica?)

Prós e contras de morar em cidades diferentes. Adoraria saber o que vocês pensam sobre isso considerando a guarda compartilhada.

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Enquanto você não está

Esse post nasce da ausência. Enquanto meu filho está com o pai, sobram-me horas e minutos, mas especialmente, sobram-me mãos. Estas duas que trabalham por tantas outras, providenciando o que é necessário e o que poderá vir a ser na rotina de ser a cuidadora (e mãe) de um menino de 4 anos, 5 meses e contando! (13 anos e 7 meses para 18 anos, isso?)

=) se isso soa estranho de se ler, tchau. Esse blog não foi feito para você ler. Decidi compartilhar aqui sentimentos, sensações, fantasias, ansiedades, enquanto meu filho fica com o pai dele. “Maravilhas da guarda compartilhada”. Já se vão 4 anos, 5 meses que venho convivendo com esse desafio de criar meu filho da melhor forma que consigo, com o que tenho, e mantendo o contato dele (logo o meu) com o pai dele (meu ex-marido, by the way).

Tem toda essa parte desagradável de estar em contato quinzenal e muitas vezes diário, com o seu ex. Sim. “O EX”. Aquele cara boa pinta que você caiu por amores, sonhou, construiu casinha, abriu conta conjunta, casou com direito a pão e circo e foi bem feliz – até ele deixar de exclusivamente amar a mim, e terceirizou uma parte de nosso casamento sem meu consentimento.

Bizarrices da vida, descobri isso quando estava com quase 2 meses de gestação. Aquela gestação tão desejada, que após 8 meses sem pílula anticoncepcional, aconteceu. Após 8 meses disponível para engravidar e nada. Mas justamente na última noite que passamos juntos (e que ele já estava envolvido com outra garota – sim, bem mais nova que eu, ou acha que fui dispensada dessa parte toda da baixaria??? Não. A vida não é assim comigo. O que tem que ser é, e no modo NO FILTER).

Ah tá, voltando ao assunto: lá por volta dos 2 ou 3 meses de gestação descobri que o pai do meu bebê, na época meu marido há quase 4 anos (e somando todo tempo juntos, quase 6 anos) estava em outra (literalmente).

Foi assim, nesse clima de novela mexicana, que minha gestação desenrolou. Entre mudanças da cidade em que vivia, para a cidade onde minha mãe e irmãs estavam, entre muitas lágrimas, confusão e tristeza, meu filho nasceu em agosto de 2010.

Naquela época eu estava tão deprimida que minuciosamente optei por fazer uma cirurgia cesária, tendo em vistas as maiores chances de óbito. Eu estava péssima gente. Na minha cabeça, meu filho nasceria bem e eu teria alguma complicação com a anestesia (pois nunca tinha feito um procedimento cirúrgico antes), ou alguém deixaria uma das 7 camadas do corte sem fechar direito, ou qualquer outra tragédia médica hospitalar possível. Mas graças a habilidade da minha médica obstetra (que adoro e respeito muito e nunca imaginou que eu pensava isso tudo) foi uma cesária como tantas outras e meu filho nasceu saudável. E eu sobrevivi.

Sobrevivemos. E desde então, bebê fora da barriga, visitas do papai. Os 2 primeiros anos foram aterrorizantes para mim. A cada visita que ele vinha fazer, muito climão pesado por parte dos familiares. O mal estar de tudo o que foi dito e feito assombrava as visitas. E eu persistia junto do meu bebê, que amamentei até os 6 meses exclusivamente. A cada visita que encerrava (duas loooooooooooongas horas) sumia ali o pouco de auto estima que eu tinha juntado nos últimos 14 dias desde a última. Cada detalhe na aparência, peso, fala do pai do meu filho eu guardava em minha mente como um fato precioso para compreender o que estava havendo. E não entendia, não compreendia nada. (hoje sei que não aceitava… resistia muito a aceitar a verdade pura – ele escolheu não estar comigo. Só isso, nada complexo. Só muito dolorido.)

Lamúrias, dor de cotovelo, dramalhões e raiva a parte, o foco desse blog será a questão da guarda compartilhada.

Penso e torço que outros cuidadores (mães, pais, tias, avós, amigas, amigos, novos parceirxs…) tirem proveito. Durante minha gestação, pós parto e puerpério, a internet, suas informações e os grupos virtuais me ajudaram muito. Como sou grata, quero dar este retorno ao universo e desejo sinceramente que isso possa ajudar quem está passando algo semelhante.

Alguns posts vão falar do meu processo de divórcio, pois a guarda compartilhada sempre vai requerer uma separação, a não união, do casal que concebeu a criança. Sem essa coisa toda do romance – pois sabemos que muitas crianças estão aqui por que duas pessoas se envolveram sexualmente um dia – seja lá por quais motivações. Enquanto algumas situações são socialmente muito bem aceitas outras ainda geram muitos olhares tortos e sobrancelhas arqueadas.

Atualmente, julgo cada vez menos. Cada um sabe o mel e o fel das motivações que envolveram a concepção e o encontro dos gametas. Fato é que isso gerou uma criança, e caberá a mulher percorrer toda a gestação e o dono do gameta chamado espermatozóide vai ficar numa boa por um tempo. E poderá permanecer numa boa, sem ocupar-se e participar da vida e criação do bebê pois nosso patriarcado assim facilita e valida.

Até que alguns “martelos são batidos” e visitas periódicas e valores monetários são definidos. Vejo muitos casos em que o progenitor começa a se fazer presente (até como punição para a mulher que recorreu à justiça) na vida da criança.

Histórias terríveis vemos todos os dias. Minha meta é trazer o lado possível – não vou iludir você que é o lado bom – pois sempre há uma estranheza nessa situação de se virar sozinha pra cuidar de um bebê que foi feito por dois. Admiro a lógica da biologia, pois duas pessoas somam 4 pernas, 4 braços e 4 mãos (numa situação ideal ok? Viva a diversidade) que são muito úteis nos 4 primeiros anos de uma criança. Aí algum “pula fora” e fica lá o outro se virando sozinho. (Sim, mamães também podem deixar seus filhos para serem criados por seus papais, ok? Pode estatísticamente ocorrer menos, aparecer mais no Fantástico da TV Globo, mas é possível sim. Certo e errado não colam – penso que vale pensar sempre no que funciona e pronto.)

Então filhão, é isso. Enquanto você está pulando na cama do papai, fazendo birra pra outra avó, falando suas sacadas inéditas e fantásticas para sua família paterna, dormindo no sofá da casa do pai, mamãe vai se divertir, transformando em palavras aquilo tudo que sinto enquanto você está ausente meu querido. A mãe hoje em dia consegue sentir um amor bem gostoso por você, com bem menor dose de ocitocina pois não me empoderei para parir você do jeito que hoje eu faria, mas estamos aí! O melhor que pudemos fazer com o que tínhamos. E cada vez melhor estamos!

Fiquem bem! E até a próxima “visita”, #seviranosquinze dias